Terça-feira, Julho 25, 2006

Planning in the digital world

O Bernardo assistiu e comentou pra gente:

Planning in the Digital World, sessão conduzida por George Scribner, diretor de planejamento da Digitas (uma agência de comunicação que se especializou em mídia digital), foi dividida em duas partes. A primeira, que falou mais conceitualmente sobre o desafio digital, se não foi exatamente original (afinal todos já sabemos como e o quanto os conceitos de conexão, mídia e comunicação têm mudado com a internet), certamente foi inspiradora e interessante, como tudo que versa sobre novidade e tendências costuma ser, quando dito com inteligência e paixão. A segunda parte, aquela que deveria mostrar os casos de sucesso que melhor integraram as novas técnicas de marketing digital com a boa comunicação off-line, foi decepcionante, na minha opinião. Faltou elaborar minimamente sobre os casos, mostrar detalhes motivadores: ficou tudo num nível superficial que, para mim, um estrangeiro que pouco conhece os produtos do mercado americano de que falaram, pareceu-me vago, impreciso ou, talvez, apressado.

Falando, então, sobre a primeira parte, uma história contada pelo apresentador chamou a minha atenção, em particular, porque me lembrou de um conceito em que eu já acreditava, por causa de minha experiência pessoal. O que eu quero dizer é que, se você quer saber como o futuro vai ser e como pensarão as pessoas do futuro, preste atenção em seu filho. Aprendi isso na prática. Uma vez, há uns 12 anos, eu tentava explicar para minha mulher como funcionava a internet. Eu tinha lido um livro ótimo sobre o assunto e falava com entusiamso sobre redes, computadores, servidores, portais, transporte de dados e todas essas coisas em que um leigo não tem o menor interesse. Para minha mulher, que não era do ramos tecnológico, tudo parecia cada vez mais complexo e chato. Eu fiz o dial up para o portal de acesso e começou aquele barulinho chiado, típico de um modem tentando estabelecer a conexão. Meu filho, que tinha 3 anos etão, brincava, distraidamente, com seus brinquedos espalhados pelo chão. Ao ouvir o barulho, ele me perguntou o que eu temia: "que barulho é esse, papai?". Naquele momento, eu tinha que pensar numa explicação de internet que ele pudesse entender. Pensei um segundo e respondi, com receio do que estava dizendo: "é o meu computador que está conversando com outro computador pelo telefone, filhinho". E ele me respondeu, simplesmente, sem nem levantar a cabeça: "ah, bom". Eu percebi que ele tinha entendido tudo. Esse foi o sinal de uma nova geração chegando, de uma nova fase de conhecimento se estabelecendo. Pois a história que eu ouvi ontem foi similar, em impacto, para mim. O George contava que o Tivo da casa dele quebrou e que o filho dele, de 3 anos, queria ver seu desenho animado favorito. Quando chegou a hora do show, o pai amoroso simplemente ligou a TV e ambos, pai e filho começaram a ver juntos o Scooby Doo. De repente, entrou um comercial. O filho olhou para o pai, espantado, e perguntou:"Pai, o que é isso?". Foi assim que o menino ficou sabendo o que era um comercial de televisão, porque ele só tinha vistos shows pré-gravados, até então, no seu Tivo.

Claro que isso vai demorar muito a chegar ao Brasil e que, em chegando, talvez venha a ter um impacto bem diferente do que tem tido nos Estados Unidos, já que o acesso a bens e internet é muito diferente nos dois países. Mas a adoção de novas tecnologias, se não necessariamente é uma ameaça de médio prazo, certamente representa uma oportunidade para as boas agências de comunicação. Não deixa de ser interessante observar que, cada vez mais, os consumidores estão pagando pelo conteúdo que desejam e ignorando o conteúdo aberto. E que as pessoas estão se transformando em geradoras de conteúdo, do seu próprio conteúdo, e não apenas consumidoras de conteúdo alheio.

Talvez por isso, as palavras que mais me chamam atenção, por aqui, são "colaboração" e "diálogo". Não apenas dentro das agências (não apenas estimulando uma troca mais direta entre pessoas de especializações diferentes, como planejadores, mídias e criativos) mas entre as marcas e produtos e aquelas pessoas que os consomem. Com as novas tecnologias, a interação não apenas se tornou possível. A eliminação (de contato) também. Se as marcas não forem capazes de estabelecer um diálogo ou de fazer alguma coisa pelos seus consumidores, as pessoas, simplesmente, vão embora, "trocam de canal". E canal, aqui, quer dizer qualquer forma de contato. Elas se conectam ou desconectam conforme a possibilidade de troca e ganho pessoal seja mais ou menos promissora e gratificante.

Preparado por Bernardo Lorenzo Fernandez

2 Comentários:

Luiz Felipe [NBS] disse...

E algumas marcas não só estão estabelecendo diálogo com seus consumidores como estão conectando eles. Depois dos blogs, fotologs, Orkut, My Space e You Tube é a vez de uma marca bem conhecida entrar nessa. Já souberam do novo canal da MTV por aí?

http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1078653-EI4802,00.html

Abs!

16:35  
Gian Martinez disse...

Excelente Bê. Me lembra o post do Daniel quando diz: "planejamento é generosidade". Essa é a palavra da ordem, mas sem a carga de inocência que ela carrega. Generosidade do, para, com e pelo consumidor.

beijo.

12:37  

Postar um comentário

<< Home