Segunda-feira, Julho 24, 2006

Brand Experience (sorry, so long!)

O título da sessão era "Planning for an Experience", com Liron Reznik, da Kirshenbaum Bond + Partners. Mudou para "Don't stop 'til you get enough". Foi a melhor a apresentação que vi hoje. O foco é o colapso do modelo linear de comunicação que vinha dominando. Ao invés do processo tradicional pra botar uma "message out", estamos na contramão, na era de levar "experience in".

Os produtos nos agregam valor, as marcas nos agregam valor, está na hora da comunicação ela própria também agregar valor. Experiência, interação e engajamento do consumidor através de uma comunicação, seja de que forma e por que meio for, rica e valiosa para as pessoas.

Liron mencionou o que a sua agência considera o "added-valuator", o conjunto das qualidades de uma agência (e de uma marca), indispensáveis para agregar valor à comunicação:

1. Great observers
2. Smart innovators (steal ideas, if necessary)
3. Nimble producers
4. Agile interactors
5. Master ideators

Liron indicou as 13 virtudes ou sabedorias dos profissionais de comunicação, das marcas e das comunicações "imparáveis", que não param nunca no sentido de agregar sempre mais valor através da experiência, interação e engajamento. É impossível explicar tudo nesse blog, menos ainda reproduzir os exemplos, mas aqui vai um aperitivo:

1. Ethos consistency vc brand consistency: a primeira é mais importante que a segunda, vide Starbucks e Virgin.

2. Complexity is good for you: é uma exigência do jogo da valorização da comunicação; não tema, pelo contrário, aproveite a fragmentação dos meios e a multiplicação das tecnologias.

3. Remeber to react fast: quanta coisa não apareceu na internet poucas horas depois que o Zidane sentou a cabeça no Materazzi.

4. The primacy of context: condição sine qua non para s pessoas "sentirem" a experiência de verdade

5. Old techniques reframed: da uma olhada no site www.onitsukatiger.com/lovelyfootball e no site www.pherotones.com

6. Iconography, not handcuffs: marcas estáticas e rígidas já eram, veja o caso da barras "Mars" que, na Inglaterra, mudaram o nome - a marca! - para "Believe", como forma de incentivar a fé dos ingleses na seleção nacional.

7. Useful meets interesting: a marca tem que ir além da sua utilidade funcional, tornando-se também interessante em muitos outros sentidos...

8. Small ideas matter more: pequenas idéias que produzem grande impacto, como a media exterior do Google Maps no telhados dos edifícios, a ativação da Adidas com o goleiro alemão em painel de lado a lado da autoestrada, etc.

9. Brands are not that important: uau, mesmo princípio do item 6 acima, as marcas têm que aprender a não ser levar muito a sério. Veja o site www.goisrael.com, da agência de turismo nacional, com um filme que explica porque Israel não se classificou para a Copa do Mundo, e site www.esuvee.com apresentando de maneira louca utilitários SUV.

10. Oh no they didn't: quer dizer, "não acredito que fizeram (ou não fizeram) isso", com o exemplo da BMW da Alemanha, num comercial em que um corredor pisa em cheio num prego, pra demonstrar pneus que rodam mesmo furados; e o site da lingerie francesa Shai que... bem, veja você mesmo em www.sexpacking.com (vale a pena, mas tem que ter mais de 18 :- )

11. Control hurts: de vez em quando é bom quebrar todo e qualquer controle, tendo como exemplo os Arctic Monkeys, que distribuiram música de graça e depois venderam mais discos do que qualquer outra banda igual nos últimos tempos - "their communication was the music they created". Outro exemplo foi o filme "Snakes on a Plane"... mas essa historia é longa!

12. Reality is a new fantasy: ou o inverso, fantasia que "allows us to get closer to reality". Exemplo: vá ao site do You Tube e busque "two chinese".

13. Multiple identities and realities: acabou-se o tempo da sessão, nem explicaram direito isso, mas entendi que as marcas hoje não podem ser monolíticas, podem estender-se, tomar formas de vida de diferente, e nenhuma melhor para demonstrar isso do que a Virgin...

5 Comentários:

Havt disse...

O cara vai voltar impossível.
Sai de baixo.

10:38  
Luiz Felipe [NBS] disse...

Deve ter sido um espetáculo essa apresentação mesmo. É isso que quero fazer profissionalmente. Depois te conto do 'brand experience' do Skol Beats desse ano. O melhor que vivenciei até agora.

14:47  
Carioca disse...

É isso aí. Há anos as empresas deixaram o “jeito Henry ford” de ser, parando de cuspir produtos e empurrar para os consumidores sem a preocupação de entendê-los. A indústria do cinema nem se fala. Sempre entendeu que seu sucesso financeiro depende de como o público vai receber e se relacionar com seu produto, linkando o que acontece na telona com suas experiências pessoais.

A comunicação deve ser uma experiência memorável para o consumidor. Ninguém tem tempo para perder ouvindo o nossos clientes falando como vai ser legal se você comprar tal produto. O consumidor já quer sentir que ganhou algo ali. No ato da comunicação. No ponto de contato. Seja um evento cultural com um show que ele vai lembrar para o resto da vida, ou um simples spot de 30 com mensagens que ele entende. Que ele vê no seu cotidiano. Que ele sinta que tal empresa realmente entende seus problemas. Que ele sinta que ganhou um amigo. Só assim a publicidade vai deixar de apenas comunicar, para agregar.

Valeu pelos posts Jurandir

15:10  
Fábio Adiron disse...

Jura

Está tão adequado que linkei seus comentários no Espicaçando o Marketing (http://outromarketing.blogspot.com/) e no grupo de discussão de marketing direto.

Quem me deu a preciosa dica foi a Deyse Dias Leite

Abraço

Fábio Adiron

09:36  
liron reznik disse...

hey, i wish i could understand portuguese, but i hope you enjoyed my presentation.

i will ask my friend Vanessa to translate...

muito obrigado.

liron

13:33  

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