16/02/2006 
Opinião: Felipe Morais
Coordenador de planejamento e mídia da Agência Toro compartilha sua visão sobre o papel do planejador. Leia texto escrito por ele e enviado com exclusividade ao GP.

Por Felipe Morais

Planejamento é uma palavra que todos deveriam usar sempre.
Não apenas nas empresas, mas em suas vidas, pois se trata de algo de extrema importância em qualquer atividade desenvolvida.
Planejar é definir um objetivo e metas; criar estratégias e táticas para chegar a esse objetivo. Incluir no cronograma o dia-a-dia do plano. Cobrar a execução nas datas pré-definidas e verificar mês a mês se os resultados estão sendo os esperados. Planejamento estratégico é tão importante para uma empresa, que existem hoje agências especializadas apenas nisso, para auxiliar as empresas e agências de publicidade na busca por melhores resultados.

Costumo dizer sempre que a agenda é a melhor amiga do homem, e explico: graças a agenda não esquecemos datas de aniversários, contas a pagar, reuniões, festas entre outras atividades. Anotamos tudo nela, desde o telefone da lanchonete da esquina, como o celular do presidente da empresa.
Normalmente, no começo de cada ano, as pessoas pegam suas agendas e anotam tudo o que já sabem que vai acontecer como feriados, viagens programadas, aniversários, vencimentos das contas, enfim, todas as informações são colocadas em um “cronograma de datas”. Isso é planejamento! E um planejamento anual, diga-se de passagem. Porque então, muitas empresas não fazem isso?

A história de que “o Brasil só funciona depois do carnaval”, infelizmente ainda é um mito nas empresas, mas não passa de mito, afinal, os meses de janeiro e fevereiro representam 16,66% do ano e, indo mais além, representam 66% do verão! Em um país tropical, onde as temperaturas oscilam entre 27 e 33ºC não são apenas refrigerantes, cervejas e ar condicionados que são vendidos nessa época. O consumo desses e de alguns outros produtos podem oscilar para mais ou menos em vendas, mas as vendas são anuais.

Janeiro é o primeiro mês do ano, por isso, o primeiro mês após as pessoas terem recebido o 13º salário. Muitos pagam dívidas, mas outros, aproveitando as férias escolares, viajam com a família; outros trocam de carro, compram apartamentos, celulares, computadores; outros aplicam o dinheiro extra em um negócio para os familiares ou até mesmo aplicam em fundos de investimentos; aproveitam até para reformar o apartamento, casa na praia, no campo, sítios... Isso para citar apenas alguns produtos que são consumidos nesses dois primeiros meses do ano, aliás, todos são consumidos durante o ano.

Verão, férias, descanso, são armas que as empresas deveriam usar. As pessoas estão mais relaxadas, com o pensamento de que o ano que se inicia será melhor, com isso, estão mais propensas a compras, a gastos. Fazer um financiamento em dez vezes até é aceito, pois o consumidor não gosta de virar o ano com dívida, mas não tem problema em começar o ano com ela. Planejar nessa época é preciso sim. E rápido.

Apenas como exemplo, em dezembro de 2005, o São Paulo F.C se sagrou tricampeão mundial. Alguém duvida de que as camisas do time venderam como água no Natal? Mesmo com mudanças na camisa previstas desde novembro de 2005, com a assinatura de contrato com outra fornecedora? Os torcedores estavam felizes, motivados, com isso, compraram mais.
Infelizmente, apenas nós de agência temos essa visão. As grandes empresas como Coca Cola, Nike, Microsoft, criam seus planos de marketing com vigência para três ou cinco anos e a cada ano fazem seu balanço para ver se os resultados obtidos foram os esperados. Mas existem empresas de pequeno e médio porte que precisam ter essa consciência também, afinal, como disse antes, as pessoas não param de consumir em janeiro e fevereiro.

Elas consomem sempre e tendo procura é necessário a oferta, ou melhor dizendo, a propaganda que estimule as vendas. Como disse, janeiro e fevereiro representam 16,66% do ano. Não agir nesse momento é perda de vendas, perda de mercado e abre uma brecha para que a concorrência venha com força total. Na tentativa de não perder mercado, vendas, clientes, o ideal é começar a fazer e executar o planejamento logo na primeira semana do ano, assim, as possibilidades de manutenção e crescimento de mercado são maiores. Só não deixe a sua concorrência ler isso.

 

Felipe Morais é formado em Publicidade e Propaganda pela UniFMU e Pós Graduado em Planejamento Estratégico pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente é coordenador de planejamento e mídia da Agência TORO e consultor de marketing da UPmkt e Celso Rangel Produções.